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O Envelhecimento da População Negra: desafios e reflexões.

Por Gilberto Amaro e Bibiana Fantinel.


Novembro é o mês da Consciência Negra, um período dedicado à reflexão sobre a história, a cultura e os desafios enfrentados pela população negra. Neste contexto, é crucial direcionarmos nossa atenção para o envelhecimento dessa comunidade, considerando as nuances e particularidades que moldam a experiência da terceira idade para aqueles que trilharam caminhos marcados pela herança histórica e pela luta por igualdade.

Na Universidade do Envelhecer (UniSER), lugar que abraça a diversidade e a longevidade, temos o privilégio de contar com histórias inspiradoras, entre elas a do professor Gilberto Amaro. Ingressando como aluno, Gilberto encontrou na UniSER não apenas conhecimento acadêmico, mas, também, uma comunidade que reconhece e respeita a diversidade de experiências. Sua jornada na UniSER não parou na graduação, tornou-se um professor dedicado, compartilhando suas vivências e conhecimentos. Além de um educador dedicado, Gilberto também representa uma trajetória de resiliência e superação que é emblemática para muitos idosos negros. “Considerando o conhecimento como o único vetor que conduzirá a humanidade para a conquista de valores, o novembro azul que convida para a consciência do autocuidado, aprendemos no curso Educador Político Social em Gerontologia, do programa UniSER, da FCE-UnB que, independentemente da cor da pele, do gênero, da idade e da orientação sexual, do posicionamento político, da formação escolar e da vivência religiosa, necessitamos acolher, compreender, respeitar e esclarecer e oportunizar a cada pessoa, o direito de ser”, ressalta Gilberto. O envelhecimento da população negra é influenciado por fatores sociais, econômicos e históricos. Desde os tempos da escravidão, os negros enfrentaram desafios sistêmicos que reverberam até os dias de hoje. Essas adversidades moldam não apenas a juventude, mas também a velhice, impactando a saúde, o acesso à educação e as oportunidades ao longo da vida.

“Analisar o envelhecimento da população brasileira nos conduz a um contexto permeado por desafios, mesmo diante da existência da Política Nacional da Pessoa Idosa e do Estatuto da Pessoa Idosa. A implementação adequada dessas iniciativas ainda se mostra insuficiente, com muitos municípios, estados e o Distrito Federal deixando a desejar em suas responsabilidades, com poucas exceções notáveis. Ao focarmos na população negra, deparamo-nos com fatores sócio-históricos que refletem os desafios extraordinários enfrentados por um povo que foi sequestrado e escravizado. Desde a promulgação da Lei n° 3.270 em 28/10/1885, que instituiu a liberdade para os sexagenários, até os dias atuais, a trajetória dessa população é marcada por políticas públicas que, em vez de oferecerem apoio, parecem relegá-la à sua própria sorte. Mesmo com avanços como a promulgação do Estatuto da Pessoa Idosa em 2003 e a regulamentação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra pela Portaria n° 992 do Ministério da Saúde, é evidente a necessidade urgente de uma atenção mais significativa por parte do Estado em suas diversas esferas. Além disso, atores sociais, como indivíduos, precisam reconhecer a importância de direcionar mais atenção e recursos a essa parcela significativa da população, que enfrenta obstáculos derivados do racismo estrutural e institucional”, explica Gilberto.

À medida que celebramos o Mês da Consciência Negra, é essencial reconhecer a importância de dar voz às histórias únicas e complexas da população negra idosa. Que este mês nos inspire a continuar construindo uma comunidade universitária que celebra a riqueza da diversidade, honrando as histórias de todos os que envelhecem conosco.






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